Me surpreendo cada vez que ouço alguém, que nunca conversou comigo antes, falar "e eu nem gostava de você". Afinal, se somos tão abertos à experimentar a vida, somos tão críticos com tendências a pensar igual a todos, como nos permitimos opinar sobre alguém que não conhecemos, com base apenas naquilo que nos falaram? (Quem falou? Já não lembra.) Seriam as pessoas menos importantes que as questões econômicas e políticas, musicais e artísticas, isso ou aquilo, e que debatemos, tão críticos, arduamente, e tão céticos?
Denegrir a imagem de uma pessoa é ir contra princípios básicos de respeito à dignidade, e sobretudo de boa educação. Uma mera opinião tende a se espalhar e tomar proporções absurdas. É aquela brincadeira de telefone sem fio, tão conhecida (Eles se beijaram? Que nada! Ela está esperando óctuplos dele). E as palavras, aumentadas maldosamente, ou simplesmente para tornar o assunto mais interessante, tendem a ter um poder inimaginável de prejudicar o alvo do bafón.
Porém o que deve-se observar não são as pessoas que iniciam a fofoca, e as aumentam. São aqueles que estão na posição que o leitor já esteve tantas vezes, assim como eu estive. Aqueles que ouvem de outros o comentário (maldoso) sobre um desconhecido. E que assimilam como uma criança que vê um comercial na TV, e aceitam como verdade, e pronto. Ele é travesti? Ela tem 19 filhos? Ora, é verdade, alguém me falou, não tem como negar. É o fato. Torna de você um tolo, outra criatura (outra!) presa ao senso comum. Até na vida social.
Se, porém, o apelo ao bom-senso que proponho, um raciocínio rápido, que permite separar verdade de mentira, e uma breve lembrança das vezes que você passou em frente uma "mentirinha" não é tentadora, apelo ao conhecimento geral, e lembro que as penas para crimes contra a honra (calúnia, difamação, injúria) podem não doer na consciência, mais doem no bolso.
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